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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O lado nem tão maravilhoso da Cidade Maravilhosa

Quem me conhece sabe como me dói falar sobre este lado da cidade que eu amo. Como um carioca apaixonado, fica difícil enxergar este outro lado. Aliás, tenho que admitir que a parte maravilhosa da cidade abrange menos de 15% de sua área, restrigindo este título aos bairros da zona sul. Pouquíssimos bairros da zona norte (como Maracanã,  Alto da Boa Vista, Santa Teresa) e apenas Barra (e Recreio, quem sabe), da zona oeste. Para o que sobra faltam recursos urbanos, planejamento, melhorias, transporte, entre outros aspectos urbanísticos.

          Foto de: Rodrigo Padula

O que falta ao resto, sobra nos locais citados acima, mas o que realmente confere o título à cidade é como a malha urbana interage com o terreno, o relevo, a mata e o litoral, criando uma paisagem ímpar entre urbano e natureza.

Contudo, esta postagem vem para falar exatamente do outro lado, pois o lado maravilhoso já é mais do que bem conhecido.

Aqui, vamos fixar em um ponto apenas: as chuvas.

Este fator natural é capaz de fazer vir abaixo os prós e evidenciar os contras, de maneira a transformar, em questão de minutos, a cidade em um verdadeiro caos urbano. O desenvolvimento urbanístico local permitiu  a impermeabilização das ruas e reduziu as áreas verdes - na zona norte, tais  áreas são ínfimas com relação às áreas asfaltadas.  Tudo isto contribui para uma diminuição da taxa de absorção do solo, fazendo com que, ao cair uma chuva um pouco mais forte, surjam pontos de alagamentos, transformando o trânsito e colocando em colapso o sistema de transporte da cidade.

Uma viagem pode ter seu tempo aumentado em horas, o sistema ferroviário mais que superlota (já que em dias normais já é superlotado), ramais como o de Saracuruna simplesmente param de funcionar por motivos de alagamentos em trechos da ferrovia, boa parte da população que utiliza ônibus e  trens se desloca para o metrô, contribuindo ainda mais para a queda na qualidade dos serviços prestados, que já são precários no que diz respeito ao conforto e mobilidade.

Trens da Supervia                    Metro Rio

Vem então o governo e coloca a culpa na chuva, dizendo que "choveu mais que o previsto", que o "volume de chuva foi muito alto", etc. Contudo, como profissionais urbanistas e estudantes de arquitetura, sabemos que um bom planejamento urbano tem como objetivo melhorar a qualidade dos serviços e fazer a cidade funcionar, seja com pouca ou muita chuva. O que falta na verdade são investimentos e melhorias para fazer com que estes problemas diminuam ou até mesmo cessem.


 

  


 


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